quarta-feira, 13 de julho de 2011

PAULO NÃO ESCREVEU AOS CRISTÃOS DA GALÁCIA

AMPLIANDO A VISÃO SOBRE GÁLATAS

O grande desafio na compreensão da Epístola aos Gálatas está relacionado a algumas dificuldades de interpretação, pelas seguintes razões:

1 – O entendimento equivocado de que a carta tenha sido escrita aos “cristãos da Galácia”

Mas, se não foi para os Gálatas, para quem, então, escreveu Paulo?

O aramaico nos responde ao apresentar o termo “Galutyah”, que é uma referência à expressão “galut”, que no hebraico significa “dispersão”. A “Galutyah” seria a “dispersão de Yah”, isto é, aqueles que foram dispersos pelo Eterno, ou seja, israelitas que, por sua infidelidade à Aliança com Adonai, haviam sido espalhados entre as nações, conforme profetizado na Torá.

Isso é evidenciado ainda mais pela expressão “achay d’aimi” que o grego traduz incorretamente como “irmãos que estão comigo”. Ora, se os irmãos estivessem com Sha’ul (Paulo), para que ele escreveria uma carta? Na realidade, “achay d’aimi” significa: “irmãos do meu povo”, indicando para quem Sha’ul (Paulo) destinava sua carta.

2 – O segundo problema está na questão da tradução do termo “aivda d’namusa”, que é equivalente ao hebraico “ma’asseh haTorah”, normalmente traduzido como “obras da lei”.

Na realidade, “ma’asseh haTorah” é uma expressão usada para se referir, na literatura judaica, a atos de importantes rabinos que foram transformados em preceitos. A premissa era que se um grande “tsadik” (justo) realizava tal prática, então tal prática era capaz de tornar uma pessoa mais justa.

Portanto, o entendimento mais correto do termo “ma’asseh haTorah” é “preceitos rabínicos”. De fato, a palavra “ma’asseh” aparece também na literatura judaica dos essênios, sendo traduzida como “ensinamentos” ou “preceitos”. Portanto, optamos pela expressão “preceitos rabínicos” como sendo a tradução mais coerente para a expressão “aivda d’namusa”.

3 – O terceiro problema está no fato de que no aramaico não havia palavra que descrevesse o fenômeno do “legalismo” (e no grego também não havia).

Porém, a própria descrição de Sha’ul (Paulo) dos “ma’asseh haTorah” mostra que o legalismo é a questão latente; e Yeshua (Jesus) já havia falado da questão dos “ma’assim” como tradições que invalidavam a Torá. O legalismo é descrito por meio do uso da mesma palavra “namusa” associada a outras expressões de conotação negativa, indicando uma espécie de “peso” ou “jugo”.

Como a própria Torá afirma que ela mesma é suave e não difícil (veja Dt. 30:11-14), e tendo em vista que muitas das práticas descritas não estão na Torá, como, por exemplo, a idéia de Kefah (Pedro) de “se separar dos não-judeus”, associada à questão do “ma’asseh haTorah”, não é difícil perceber que essas expressões negativas se referem a um “jugo do legalismo” e não à obediência aos preceitos da Torá.

Um desses termos é “techeit namusa”, ou “debaixo da lei”, que é descrito como diametralmente oposto ao "estar na Graça”. O problema é que se essa lei fosse a Torá, a Graça não poderia existir no Tanach (Antigo Testamento), enquanto na realidade a Graça é citada centenas de vezes no Tanach. O termo, portanto, refere-se a um jugo rabínico de natureza semelhante aos preceitos rabínicos supracitados. Optamos, portanto, por traduzir “techeit namusa” como “sob o jugo rabínico”.

Podemos, aqui, considerar que os preceitos rabínicos acrescentados à Torá se constituíam no “jugo pesado” que os rabinos colocavam sobre seus “talmidim” (discípulos). Daí o haver Yeshua (Jesus) afirmado que Seu “jugo” é suave, porque Ele era Rabi e também tinha discípulos (Matitiyahu/Mateus 11:30). O jugo de Yeshua é o jugo suave da Torá (Dt. 30:11-14).

Utilizamos o termo “legalismo” em 4 situações nestes 3 primeiros capítulos, onde o contexto evidencia. As duas primeiras nos versos 1:11 e 12, pois o versículo imediatamente acima (verso 1:10) fala do caso do “techeit namusa”. Portanto, fica evidente que aqui Sha’ul (Paulo) fala contextualmente do legalismo. O terceiro caso é o do verso 3:21, onde ele afirma que a “justiça vem da fé”, e não de “namusa”. Ora, aqui ele faz uma referência implícita de “techeit namusa”, pois estamos falando daquilo que é diametralmente oposto à Graça. Portanto, não se trata de uma menção à Torá. O quarto caso é o do verso 3:24, por dois motivos. O primeiro é o uso da expressão “preso a namusa”. Ora, a Torá não prende ninguém, muito pelo contrário, a verdadeira Torá de Elohim liberta. Portanto, o contexto aqui é o do legalismo rabínico. Se observarmos a questão da repreensão de Sha’ul a Kefah e aos da “galut”, logo ao final do capítulo 2, então fica evidente, aqui, que Paulo (Sha’ul) está falando contra o legalismo rabínico. Além disso, há outro indício, pois o aramaico traz no verso 3:25 a expressão “tutores” ao invés de “tutor” (que só aparece no grego), indicando que Sha’ul se referia aos rabinos fariseus e não contra a Torá. O contexto está em harmonia com Atos 15:21, onde Ya’akov (Tiago) instrui os não-judeus a irem às sinagogas para aprender sobre Mosheh (Moisés). Onde as Escrituras podiam ser estudadas naquela época? Nas sinagogas farisaicas, é claro! Porém, uma vez que o aprendizado das Escrituras desse respaldo à fé, então já não estariam mais “debaixo de tutores rabínicos”.

4 – O quarto problema é a evidente tendência antinomista (nomos = torá) e antissemita (ou anti-judaica) das traduções desta epístola, que acentuam o entendimento equivocado de que Sha’ul (Paulo) teria pregado contra a Torá e, portanto, estaria em franca oposição ao que disse o Mashiach Yeshua (Messias Jesus), quando afirmou que não tinha vindo para abolir a Torá (Matitiyahu/Mateus 5:17-18). Além, é claro, de entrar em contradição com as afirmações do próprio Sha’ul (Paulo) quando afirma ser um fiel cumpridor dos preceitos da Torá (Atos 24: 14-16; Atos 20:16; Atos 22:3; Atos 23:6; Romanos 3:31).

Concluindo, podemos afirmar que há muitas evidências na Epístola aos Gálatas que dão total respaldo a nossa interpretação de que Sha’ul (Paulo) não escreveu a carta para os gentios da Galácia, que não dominavam o conhecimento da Torá, e, sim, para os judeus da dispersão (Galutyah), que criam em Yeshua e compreendiam o que ele estava ensinando.

Fonte: www.torahviva.org



terça-feira, 29 de março de 2011

DOUTRINA DOS APÓSTOLOS

Por Celeste Novas

Ensino dos (µyjlV) Shalachim

Ouço sempre que devemos seguir a doutrina dos apóstolos e se alguém lhe ensinar outro evangelho, que seja anátema (citações dos textos de Atos 2:42 e Gálatas 1:8). Aí vem a pergunta: O que é a tão falada “doutrina dos apóstolos?”

Comecei a pesquisar sobre isso para que eu mesma pudesse ter um melhor entendimento.

A raiz grega διδασκω “didasko” (ensinar, conversar com outros a fim de instruí-los, pronunciar discursos didáticos, ser um professor, desempenhar o ofício de professor, conduzir-se como um professor, ensinar alguém, dar instrução, instilar doutrina em alguém, explicar ou expor algo, etc. – Dicionário Strong), sugere que “doutrinar” é levar alguém a aprender. Segundo a tradição judaica, teria o significado de “sentar-se aos pés de um mestre, professor ou doutor, a fim de ser ensinado”, conforme podemos ler em Lucas 10:39 “E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Yeshua (Jesus), ouvia a sua palavra”. “Assentando-se também”, leva-nos a concluir que havia outras pessoas sentadas aos seus pés aprendendo o que lhes ensinava.

O próprio Senhor Yeshua doutrinava: “... ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina (João Ferreira de Almeida)” “E a multidão de judeus, ouvindo, ficavam maravilhados de sua explicação da Torá (Código Real Galileu). Mateus 22:33.

Entre as características da Igreja do 1º século, com a comunhão entre os irmãos e o partir o pão, estava também a “doutrina dos apóstolos”, que nada mais era do que a transmissão dos ensinamentos que o próprio Yeshua lhes havia ordenado: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações”... ”ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado (João F. de Almeida)”. “Ide com urgência e fazei-me tantos talmidim como possais entre todas as nações”. (Código Real Galileu) (Mateus 28:19).

Essa é uma prática judaica desde sempre. E é chamado de Yeshivá (do hebraico ישיבה, "assento" pl. yeshivot) é o nome dado às instituições para estudo da Torá e do Talmud. As yeshivot geralmente abrigam rapazes ou homens. A instituição equivalente para mulheres é a midrashá, embora o termo yeshivá possa ser usado também para uma instituição mista ou de mulheres.

Na época de Yeshua, havia duas escolas, também conhecidas como casas e ainda academias dirigidas por dois mestres da Torá: Shamai e Hilel. Ambos tinham sua Yeshivá, preparavam seus discípulos e dominavam a vida nacional de Israel nos dias anteriores ao nascimento de Yeshua.

Quando nosso Mestre tinha 12 anos de idade e ficou no Templo compartilhando a Torá com os sábios de Israel, possivelmente Shamai e Hilel estiveram entre os doutores que se admiravam de Suas respostas.

Será que, mesmo diante dessas evidências, podemos dizer que doutrina não tem importância, e que não precisamos dela, por um total desconhecimento do que significa? A Palavra responde: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina do Messias e nela não permanece não tem D-us; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho (João F. de Almeida)”. “Todo aquele que transgride a Torá e não persevera nos ensinamentos do Messias, não tem a D-us. O que permanece em seu ensinamento tem ao Pai e ao Filho (Código Real Galileu)”. (2João 1:9).

Faço minhas as palavras de C. H. Brown: “A doutrina e o modo de viver são duas coisas que andam juntas. Alguém dirá que não faz nenhuma diferença em que você crê e que o mais importante é o modo de viver. Isto é falso! Você não pode viver certo se não crer certo. Não se pode separar a conduta da doutrina. A única conduta complacente é a que deseja obedecer à Palavra de D-us revelada.

Em Atos 2 estavam pessoas que se juntavam ao grupo dos talmidim (תלמידים), “estudantes, discípulos”, e eles se congregavam para anunciar que Yeshua era o Messias esperado pelos judeus e estudar a Torá, que conhecemos hoje como Velho Testamento. Aquelas pessoas não se reuniam para fazer o que se vê hoje nesse ajuntamento chamado “igreja”.

Atos 2:41b-42a “...e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos...(João F. de Almeida)” “...E se acrescentaram naquele dia três mil almas e perseveravam no estudo da Torá explicada pelos apóstolos...(Código Real Galileu)” . Atividades puramente espirituais. Esse é o padrão para a igreja em qualquer tempo. Nunca teria havido uma igreja primitiva a não ser por este ensino específico. Por isso somos obrigados a enfatizar que o ensino deve vir primeiro porque foi ele que conduziu às conversões.

Foi a pregação de Pedro, portanto o ensino ou “doutrina”, que uniu essas pessoas.

O versículo 44 diz que "todos os que creram estavam juntos (João F. de Almeida)". “Todos os judeus que creram que Yeshua era o Messias estavam juntos... (Código Real)”. No que eles creram? Creram que o Messias já havia vindo, e conforme a Torá e os Profetas, e por todos os sinais feitos, Ele era Yeshua.

O livro de Atos mostra que foi a pregação das “boas novas”, conhecido no grego como “evangelho”, que deu origem à igreja. A doutrina da igreja primitiva veio dos Shalachim – enviados, conhecidos no grego como apóstolos porque eles a receberam diretamente de Yeshua.

Vamos entender um pouco o que seria “boas novas ou evangelho”: Bêsorah (בשרה) - notícias, boas notícias, novidades, recompensa por boas novas, boas novas. Traduziu-se ao grego como ευαγγελιον “evaggelion ou evangelho” no sentido de "boas novas" e παραδοσις "paradosis", no sentido de instrução, quer dizer, dádiva que é entregue pela palavra falada ou escrita, tradição pela instrução, narrativa, preceito, etc. Aquilo que é proferido, etc. – Dicionário Strong. No judaísmo, essas "tradições" têm a autoridade de "doutrina" conforme 2ª Tesalonicenses 2:15 – “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por carta nossa”.

Portanto, a “doutrina dos apóstolos”, nada mais é do que o ENSINO DA TORÁ ou Lei de D-us!

Saibam que o que conhecemos hoje como “Novo Testamento”, a Aliança Renovada no Messias, não existia. Todos os da primeira congregação foram dedicados a aprender a Palavra para vivê-la. D-us quer que sejamos capazes de defender as razões da nossa esperança nEle. Essa defesa será possível somente se formos discípulos dedicados. Não apenas conhecedores das Leis de D-us, mas, principalmente praticantes.

“Nisto todos conhecerão que sois meus "discípulos" (alunos que aprenderam de mim e praticam o Serviço ao Pai Eterno), se vos amardes uns aos outros”. João 13:35

O Eterno abençoe a todos!

Celeste

Fontes:


Bryan Moody, Marco A. Sales, Código Real Galileu com comentário do Rabino Dan Ben Avraham, Dicionário Strong e Weekpedia.
http://www.buscandoasraizes.blogspot.com/

















sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

HÁ JUDEUS SALVOS NA BÍBLIA?

Por César Rien

Paulo não usava a filosofia greco-romana, ele se utilizava do pensamento judaico, que é o substrato sobre o qual foi escrita a Santa Bíblia.

Quem não respeita a visão judaica da Bíblia vai trilhar por um caminho diferente daquele dado por Deus e por Cristo.

O Senhor Jesus, em Sua infinita misericórdia, nos conceda Seu Espírito Santo para nos conduzir na compreensão da verdadeira Bíblia, aquela que foi escrita por judeus e para judeus, crentes em Cristo ou não.

O Novo Testamento nunca rompeu com o Antigo Testamento. Portanto, o Novo Testamento mantém as promessas de Deus para Israel, e orienta a quem não for judeu, para ser enxertado na árvore judaica da Aliança com Deus (Romanos 11).

Para Deus, para Jesus e para os Apóstolos os judeus nunca foram colocados para fora do Plano da Salvação original.

Só a partir de Inácio de Antioquia e de Constantino Magno o cristianismo sofreu uma "lavagem" para expurgar as raízes judaicas da fé cristã. Aí, então, surgiu uma religião anomista, fora-da-Bíblia e fora-da-lei, que tirou Jesus da cultura judaica e o mergulhou na cultura greco-romana ocidental, tornando-O irreconhecível.

A figura de Cristo, tal qual o revelam nas igrejas, já não têm feições de alguém que nasceu na etnia judaica; é de alguém pálido, branco e ocidental, não de alguém do ensolarado Oriente Médio. A sanha antissemita [antijudaica] foi tamanha que a declaração de Jesus, a favor da Torá [Lei/ Cinco Primeiros Livros das Escrituras], em Mateus. 5:17-19, foi totalmente distorcida. A interpretação (!!!???) atual é de que essa declaração somente foi válida antes [???!!!] da cruz e que, após a cruz, ela deixou de ser verdade. É a sanha antissemita desde Constantino até Lutero. Do protestantismo, esse preconceito antissemita espalhou-se para as denominações evangélicas e pentecostais para nos alcançar em pleno século XXI. Há poucos teólogos acordando e percebendo isso.

Quando os cristão vão acordar e sacudir seus falsos paradigmas e ver que Jesus é totalmente judeu, bem como todos os Apóstolos? Somente Lucas não conviveu com Cristo, mas escreveu um Evangelho e o livro de Atos com informações sobre a prática do judaísmo pelos Apóstolos e pelo próprio Paulo, considerado o fundador do cristianismo. Mas Paulo nunca deixou de praticar o judaísmo. Suas palavras foram distorcidas e tiradas do contexto da cultura judaica, na qual Paulo foi educado desde a infância, para criar uma religião sem-lei (sem-Torá), religião fora da Lei. A epístola de Tiago sempre foi muito desprezada, por ser considerada muito judaizante por Lutero, Calvino e outros fundadores do protestantismo. Faz pouco tempo que os teólogos sem preconceito perceberam que a epístola de Tiago está fundamentada nos ensinos de Jesus!!!

Jesus mesmo afirmou: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel." – (Mateus 15:24).

E quem era a Casa de Israel? Eram os judeus/gentios (!sim!) que, posteriormente, foram dispersos entre as nações e estavam paganizados. Coube a Paulo a tarefa (confiada a ele por Cristo) de levar a mensagem aos judeus-gentios dispersos e para os estrangeiros (os não-judeus).

A cegueira é tão grande que mesmo Apocalipse 7:4 a 8 explicando que aquele é um grupo de judeus crentes em Cristo, há quem interprete que se trata de crentes não-judeus em vez de judeus. Se assim fosse, Apocalipse 7:9 não falaria de uma multidão de todas as tribos, línguas e povos, não é mesmo? O preconceito impede que se vejam os judeus salvos, sendo mostrados no Apocalipse! Isso é um grande desrespeito para com a Bíblia e um grande desprezo pelo Amor que Deus tem pelos judeus, aos quais escolheu para dar-lhes a Bíblia a fim de que a preservassem para nós até hoje.

Portanto, devemos nos despir do nosso perigoso orgulho de "escolhidos e privilegiados" antissemitas e agir com a humildade da mulher cananéia: "Senhor, socorre-me!" - Mateus15:25.

Quem quiser ver, que o Criador lhe remova as escamas dos olhos para que veja! Amém!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

VERACIDADE HISTÓRICA DA BÍBLIA

Clique no título acima e assista um vídeo muito importante, tratando sobre a veracidade histórica da Bíblia.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

CONSTATAÇÃO SOBRE O NATAL

CONSTATAÇÕES SOBRE O NATAL


Por José Landa Cardoso

Problema

O que fazer para que cristãos e judeus ortodoxos unam e comparem o Antigo com o Novo Testamento a fim de celebrar o verdadeiro período do nascimento de Cristo?

Objetivo

Buscar Chão Firme entre Fronteiras Extremas. Quando Nasceu Jesus?

1. Muitos dizem que Jesus não nasceu em dezembro, tendo em vista que o mês de dezembro, e mais particularmenteo dia 25 de dezembro é o solstício de inverno naquela região [é a noite mais longa e mais fria, chegando a nevar no Hemisfério Norte]. Logo, em 25 de dezembro não haveria pastores no campo [gelado] quando os anjos anunciaram o nascimento de Jesus (Lucas 2: 8-11).


2. Sim, Jesus não nasceu nesse período de inverno rigoroso, em dezembro.


3. Mas, então, em que período nasceu Jesus?

I. Racionalidade e Fé

Pode-se manter a FÉ! Sem a necessidade de negar a razão.

1. Existem cristãos conservadores, ligados aos dogmas e, por outro lado, há judeus reacionários, ortodoxos e intransigentes. Ambos se negam a reconhecer a Verdade (completa), permanecendo presos a distorções, dúvidas, erros e omissões na abordagem das Escrituras.


2. Esses cristãos conservadores e judeus ortodoxos são cegos e surdos.Tem olhos e não veem; tem ouvidos e não ouvem (Jr 5:21).

3. Há mais judeus que leem e estudam o Novo Testamento [e que aceitam Jesus como Salvador] do que se possa imaginar. Há, também, muitos cristãos que estudam o Antigo Testamento e interpretam os seus símbolos e profecias à luz do Plano de Redenção!

4. Provavelmente, os judeus que creem em Jesus já devem ter observado o período em que Jesus nasceu, comparando o Evangelho de Lucas 1:5,8,11,13,23,24,26 com o Primeiro Livro de Crônicas, capítulo 24, versos 1 a 18, especialmente o VERSO 10.

II. Proposta


Estudar o Primeiro Livro de Crônicas, no capítulo 24, verso 10 [Antigo Testamento] vinculando-o ao Evangelho de Lucas, capítulo 1, com o objetivo de verificar o período em que Cristo nasceu, isto é, entre setembro e outubro, provavelmente na Festa/Culto dos Tabernáculos.

III. Referências


1. A concepção de João Batista (turno de Abias: mes de junho): 6 meses antes de Cristo.

2. Período em que o sacerdote Zacarias, pai de João Batista, encontrava-se prestando serviço no Templo [turno de Abias, mês de junho]

3. A esposa do sacerdote Zacarias, e mãe de João Batista,engravidou nesse período (mês de junho, após o término do turno, não saindo de casa durante cinco meses.


4. No 6º mês após a concepção de João Batista, Maria concebeu após receber a notícia do Anjo Gabriel [durante o mês de dezembro].


5. Transcorridos 9 meses, ou 280 dias, Jesus nasceu entre os meses de setembro e outubro, provavelmente na Festa Espiritual que se celebra nesse período: A Festa dos Tabernáculos.


IV. Uma Nova Maneira de Olhar os Fatos

O Criador Instituiu 3 Festas Proféticas. Festas de Levítico 23.

1. A Festa/ Culto da Páscoa [14/15 de Nissan, entre março e abril]: Período em que Cristo se ofereceu, como Crodeiro em holocausto, para resgate da humanidade. O símbolo da Páscoa é o cordeiro [pascal].

2. A Festa/Culto de Pentecostes [50 dias após o dia seguinte à Páscoa, 15/16 de Nissan]: Período em que Cristo voltou na forma de Espírito Onipresente, realizando a grande efusão espiritual no planeta Terra.

3. A Festa/Culto dos Tabernáculos [setembro/outubro]: Período em que se celebra a alegria oriunda do Eterno, em Espírito. Tem a duração de cerca de 22 dias, sendo composta por um conjunto de 3 Festas Espirituais - Trombetas, Dia da Expiação/Perdão e Festa das Tendas ouTabernáculos.

4. A 3ª fase da Festa dos Tabernáculos, denominada Festa das Tendas ou Cabanas celebra a alegria antecipada da 2ª Vinda do Messias/Cristo.

5. A cidade natal de Cristo, na época de Seu nascimento, não estava cheia de pessoas senão por celebrar uma das Festas Solenes do Criador, a Festa das Cabanas [cujo termo hebraico é Sucot e que se caracteriza pela construção de cabanas com ramos à semelhança bucólica de uma estrebaria com manjedoura].

6. Sobre Cristo, A Palavra Criadora, foi revelado que a "Palavra, o Verbo se fez homem [carne] e habitou entre nós". A palavra "habitou" ou "viveu", oriunda do termo grego SKENÉ, significa "fazer TENDA" ou "Tabernáculo", "TABERNACULAR". Logo, poderemos dizer que "Cristo, o Verbo/Palavra Criadora, TABERNACULOU entre nós" (João 1:14).

V. Abrindo a Porta da Percepção


Texto: Lucas, capítulo 1

João Batista Foi Concebido 6 Meses Antes de Jesus. Início do estudo.

1. No tempo em que Herodes reinava em Judá, viveu um sacerdote chamado Zacarias [que veio a ser o pai de João]. Ele pertencia ao turno de ABIAS no serviço do Templo [mai/jun]. Ele e sua esposa Isabel não tinham filhos (versos 5 a 7).


2. O turno de serviço no Templo correspondente a ABIAS, era ministrado no mês de SIVAN (maio/junho). Eram 24 sacerdotes sorteados e Zacarias havia sido contemplado na 1ª escala de Abias [começando no 1º Sábado do mês de junho e iria até a sexta-feira seguinte, inclusive]. Ele permaneceria no Templo durante esse período (versos 8 a 10).


3. A Escritura Sagrada diz que Zacarias voltou para casa tão logo terminou o seu turno de serviço, e sua mulher engravidou [mês de junho] e durante 5 meses não saiu de casa (versos 13, 15,18,19, 23,24).

4. No sexto mês, ou seja, passados 6 meses depois da concepção de João Batista, o Eterno enviou Seu Anjo a Maria avisando-a que ela conceberia, estava grávida, e teria um menino , que seria chamado Filho do Altíssimo, pois o Eterno, em Espírito Onipresente, viria sobre ela e a cobriria como uma sombra (versos 26 a 36).

5. Alguns dias mais tarde, Maria foi, apressadamente, ver Isabel. Quando Maria saudou a prima Isabel, o menino de Isabel saltou em seu ventre, e Isabel ficou cheia , isto é, preenchida pelo Eterno Ser Excelso, na forma do Espírito Santo (versos 39 a 41).

VI. Ponto de Partida Para o Nosso Estudo


Texto: Lucas, capítulo 1

Concepção de Jesus. De acordo com o texto sagrado.

1. Maria concebeu no 6º mês da gravidez de sua prima Isabel (versos 26 e 27).

2. Na posse de um calendário judaico, a partir da CONCEPÇÃO de João Batista [no mês de Sivan, MAIO/JUNHO] chegamos à CONCEPÇÃO [não ao nascimento] do Divino Filho, no final do mês de Kislev, ou seja, entre final de novembro e dezembro.

3. É interessante observar que Cristo foi CONCEBIDO [e não nascido] no Inverno, na Festa das Luzes, no mês de dezembro. Isso foi quase soterrado pela meia-verdade! Seria coincidência? Cristo, a LUZ do Mundo, foi concebido na Festa das Luzes.

VII. Nascimento de João e de Jesus


Natal/Nascimento. A fé não elimina a razão.


1. Nascimento de João Batista, o Imersor: Contando 9 meses [apoximadamente 280 dias], a partir do 3º Sábado de Sivan [maio/junho], chegamos ao nascimento de João Batista, que nasce no mês de Nissan [entre março/abril], durante os festejos da Páscoa.


2. Cristo revelou que João Batista era um Profeta semelhante ao Elias esperado, e nasceu no período em que todos esperavam, na Festa/Culto da Páscoa.


3. Jesus foi CONCEBIDO 6 meses depois de João Batista. A data do nascimento de João pode ser estabelecida em torno de meados do mês de Nissan (março/abril).


4. Nascimento de Jesus: Acrescentando-se 6 meses ao nascimento de João Batista, entre março/abril, chegamos ao NASCIMENTO de Jesus, no mês de Tishri (setembro/outubro). Por outro lado, contando-se 9 meses a partir da CONCEPÇÃO de Jesus (dezembro), chegaremos ao mesmo período: nascimento de Jesus no mês de Tishri.

VIII. Nascimento de Jesus em Tishri


O Que Tem o Mês de Tishri? O que há de importante em Tishri?

1. No mês de Tshri (setembro/outubro), a estação da Primavera no Brasil e Outono no Hemisfério Norte, temos a Festa dos Tabernáculos, na qual constam a Festa das Cabanas e o Dia do Perdão (Purificação do Santuário).

2. Tudo leva a crer que Cristo, que veio trazer PERDÃO e remoção das culpas, falhas e pecados, tenha NASCIDO nesse período (Festa das Cabanas/Dia do Perdão)!

3. É comum dizer-se que o Messias nasceu em uma manjedoura [estábulo] porque o casal sagrado não encontrou lugar para se hospedarem, devido ao CENSO - que duraria o ano TODO.

4. Certamente não foi devido ao censo, que os pais de Jesus não encontraram lugar, mas, sim, porque nesse período do ano, mês de Thishri (set/out), ocorria uma das das Festas/Cultos em que o povo de todas as regiões se dirigiam a Jerusalém, e TODAS as demais cidades PRÓXIMAS ficavam abarrotadas de pessoas. Belém é próxima a Jerusalém.

5. No mês de Tishri (set/out), dentro das celebrações da Festa/Culto dos Tabernáculos, há a construção artesanal de CABANAS (Sucot), com telhados de ramos, mantendo um ar bucólico, semelhante a abrigos para animais.

6. No mês de dezembro, no Hemisfério Norte, chega a nevar, com inverno rigoroso, e jamais se poderia pressupor que haveria pastores no campo com suas ovelhas, recebendo o anúncio de que o Salvador havia nascido (Lucas 2: 8 a 11).

7. Era comum entre os hebreus, aproveitarem o OUTONO no Hemisfério Norte (set/out), para aí, sim, engordarem seus rebanhos no campo. Todavia quando chegasse o Inverno (nov/DEZEMBRO) as ovelhas eram recolhidas ao aprisco.

IX. Verdade Central

O Eterno criador quer nos ensinar, através das Escrituras sagradas, que Jesus não nasceu no período de inverno rigoroso, em dezembro.

Passados 6 meses depois da concepção de João Batista (maio/junho), Maria foi avisada que estava grávida, e teria um menino, que seria chamado Filho do Altíssimo (Lucas 1:26-36).


Passados alguns dias (maio/junho) Maria foi visitar a prima Isabel. Quando Maria saudou a prima Isabel, o menino de Isabel saltou em seu ventre, e Isabel ficou cheia/preenchida pelo Eterno Ser Excelso, em Espírito (versos 39 a 41). Maria já estava grávida.

A CONCEPÇÃO [não o nascimento] do Divino Filho, ocorreu no final do mês de Kislev, ou seja, entre final de novembro e dezembro.


Contando-se 9 meses a partir da CONCEPÇÃO de Jesus (dezembro), chegaremos ao nascimento do Messias: mês de Tishri (setembro/outubro), provavelmente na Festa dos Tabernáculos, Festa das Cabanas e Dia do Perdão!


X. Aplicação da Mensagem

Podemos Celebrar o Nascimento de Cristo? Qual o período?

1. Celebremos, sim, o Natal (nascimento de Cristo), durante a Festa/Culto dos Tabernáculos que em 2010 ocorreu, no Brasil, entre 09 e 30 de setembro (durante a nossa Primavera e Outono no Hemisfério Norte).

2. No ano de 2011 poderemos celebrar a Festa dos Tabernáculos entre 29 de setembro e 20 de outubro:


Festa das Trombetas - Ano Novo: 29 de setembro de 2011 (quinta-feira).


Dia do Perdão - 08 de outubro de 2011 (Sábado).


Festa das Cabanas - 13 de outubro de 2011 (quinta-feira) a 20 de outubro de 2011(quinta-feira).

"Um Menino nos nasceu; um Filho nos foi dado".


Meditemos nisso! Landa Cardoso (José)


Em Tempo:


Esse texto não é doutrina de igreja, mas, sim, faz parte de reflexão e comprova que ao expor a nossa fé não necessitamos negar a razão e o raciocínio que o Criador nos concedeu!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

EM HONRA DE MARIA A MÃE DE JESUS

Estamos nos aproximando do dia 12 de outubro, uma das datas que o catolicismo destina à celebração de honras a Maria, mãe de Jesus. Como evangélicos, somos acusados de não respeitar Maria. Contudo, nós a respeitamos. Apenas não a colocamos no altar que pertence apenas ao Senhor Jesus Cristo. Para homenageá-la nesta data tão importante para nossos irmãos e irmãs católicos, trazemos o texto abaixo, de autoria de judeus messiânicos, que expressam de forma clara e meridiana nossa apreciação por Maria e pelo exemplo de humildade e de obediência que ela nos legou. Boa leitura a todos!


PORQUE MARIA FOI QUALIFICADA PARA O CHAMADO?
Mateus 1:18 a 25

Por Emily Assunção

Gostaria de começar este escrito fazendo uma pergunta a você: Se Yahweh te chamasse hoje para uma grande obra,qual seria a sua reação?

Encontramos aqui um personagem bíblico, uma mulher chamada Maria. Como todo ser humano, ela viveu buscando seus sonhos e objetivos, visualizando para si um futuro, a realização da sua vida e, com certeza, sempre crendo que o Senhor estava no controle da sua vida. Era dessa forma que esta jovem se encontrava ali, naquele dia. Sonhava os sonhos de uma adolescente, gerando dentro de si a realização de cada um deles.

Talvez seus pensamentos estivessem em meio a devaneios no instante que o anjo Gabriel a interrompeu dizendo: eis que eu vos trago boas novas, de ti nascerá o Salvador do mundo!

Então a menina Maria com um gesto de aceitação inclina-se ao chamado de Yahweh, nos ensinando com sua vida os princípios para uma vida vitoriosa e próspera.

Gostaria de classificar algumas características que Maria tinha e que como ela devemos também ter.


1 - ELA ERA VIRGEM

Quem era considerado virgem? Aqui está se tratando da virgindade física, nos fazendo entender que seria aquela que não conheceu homem intimamente, que não foi tocada. Maria possuía a postura de uma jovem adolescente, que conservava para si os costumes de seu povo e no temor do Eterno.

Trazendo este conceito para o mundo espiritual, podemos classificar como virgem aqueles que não experimentam o mundo, que não se deixam ser tocados pelos atos carnais.

Isso nos ensina que para sermos vitoriosos e prósperos em nosso chamado, precisamos ser puros de coração. Somente um coração limpo, pode carregar Yeshua. A Ruach HaKodesch (Espírito Santo) não habita em lugar sujo e contaminado. De uma mesma boca não pode sair benção e maldição. Como falar de Yeshua e ao mesmo tempo viver em pecado? Como testemunhar da salvação, porém agir como se não fosse salvo? Podemos falar do amor de Yahweh e ao mesmo tempo mentir, dizer lashon hará (falar mal), rogar praga, não perdoar?

Portanto, o primeiro passo para gerar Yeshua, para ser escolhido para uma grande obra, é ser limpo de coração, não ser tocado pelo pecado, pelo mundo. Somente os limpos de coração, verão a Elohim. Maria carregou Yeshua no ventre, e nós podemos carregá-Lo no coração, tudo depende do que está dentro de nós. O Senhor é santo, e somente santos podem carregá-Lo dentro de si.


2 - MARIA ERA COMPROMETIDA COM UM HOMEM DA CASA DE DAVI

Maria estava noiva de Yosef (José). Yosef pertencia à geração da tribo de Yehudá. Ela vivia na esperança do Salvador de Israel, o Melech Ha’olan, e ela conhecia as suas promessas de que, uma virgem conceberia e daria à luz o Messias de Israel. Maria sabia das promessas do Eterno para com seu povo. Ela aguardava a salvação do Messias que viria.

Também podemos ver que Maria tinha uma aliança com Yahweh. Esta aliança era testemunha de uma vida de fidelidade. Maria era uma com Israel; ela não se contaminara como fez Esaú, casando-se com as mulheres hetéias. Maria permaneceu fiel na sua fé judaica, noiva, sim, de um descendente da tribo de Yehudá (Judá).

O Senhor faz gerar os seus sonhos dentro dos corações daqueles que são fiéis a Sua Aliança. No entanto, o que mais temos visto, são pessoas que se dizem crentes, contaminando-se com as hetéias do mundanismo, paganismo e com o pecado.

Maria não era alheia à Palavra do Todo-Poderoso. Ela tinha conhecimento das promessas e do futuro que viria através do Salvador que nasceria. Quando ela questionou ao anjo, como se sucederia o nascimento, posto que ela ainda não havia se deitado com Yosef (José), não era questão de medo, ou dúvida, mas questão de conhecimento. Maria sabia quem ela era em Yahweh, ela estava segura da sua posição diante dele, mas sabia da sua dependência dEle também. Maria tinha convicção da sua fé e do que esta fé gerava dentro dela; assim, ela se volta para o anjo, não com uma dúvida, mas com uma pergunta de determinação: Como isso se sucederá? Como devo proceder?

Quem dera o Senhor encontrasse sempre as Marias neste mundo. Homens e mulheres que compreendessem a obra do Pai nesta terra. Precisamos ter Aliança com o Senhor, Aliança é pacto de fidelidade, é laço que, mesmo sendo desfeito, permanece inteiro, e não deixa nó. É necessário conhecermos a Palavra do Amado, suas promessas, assim testemunhando cada instante. Maria gerou a vinda do Messias, e nós devemos gerar a volta deste Messias, mas será que estamos prontos neste momento?


3 - ELA FOI AGRACIADA

O que é ser agraciada? É encontrar favor. Maria encontrou o favor de YHWH, e isso nos ensina algo muito interessante: precisamos ter crédito com YHWH! Você pode até dizer: mas, YHWH ama a todos, morreu por todos. Entretanto, nem todos creram ou o receberam; porém, aos que creram, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Elohim, e isso nos torna especiais. O que significa isso? Bem, quando nós temos crédito com alguém, essa pessoa sente o desejo de nos dar algo em troca. Quando o Senhor olhou para Maria, Ele viu nela uma mulher que dedicara toda sua vida à Aliança que ela tinha com o seu YHWH. Ele olhou para Maria e disse: Você tem entregado sua vida ao meu serviço, e agora eu vou te pagar com o que tenho de melhor, meu filho! Vou te dar o meu filho para você cuidar dele para mim. Através dele você vai receber o seu galardão, e este será o preço pelo seu trabalho, tu serás conhecida por toda a humanidade. De menina, passou a mãe do Filho de Elohim. Maria se tornou conhecida em todo o Mundo. A sua historia é contada de geração a geração. Não estou aqui dizendo que Maria é digna de adoração, mas, ela foi e será honrada por sua força e coragem e sei que, como muitos dos que foram chamados, ela é contada pelos seus feitos. A Bíblia está repleta de homens e mulheres que são os heróis de YHWH. Seus nomes estão contados nas entrelinhas das páginas de uma história real e verdadeira, a Vida do Messias Yeshua, seu filho.

Ezequias estava para morrer, e ele clamou ao Senhor e o Senhor deu a Ezequias mais quinze anos de vida. Este homem tinha crédito com YHWH, assim, alcançou o favor do Senhor através de uma vida de obediência.

Tal qual Maria, devemos ser encontrados. Uma vida agradável ao Eterno. Temos que ser a alegria do Senhor, pois a alegria que lhe proporcionamos através dos nossos atos será a nossa força para cumprirmos o seu chamado.

4 - O SENHOR ERA COM ELA

Como tem sido a sua vida com YHWH? Qual a resposta Dele em relação a você? Esta é uma pergunta que devemos fazer para nós mesmos o tempo todo.

O motivo do qual levava o Senhor a ser um com Maria, se baseava na sua intimidade com Ele. Certamente, Maria tinha comunhão constante, em uma busca de oração, palavra, jejuns.

Não há como nos relacionarmos com alguém sem falar com esta pessoa. Às vezes passamos o dia todo preocupados com nossos afazeres e, no final do dia, já cansados, balbuciamos algumas palavras sem mesmo prestar atenção no que falamos. Deixamos o resto do nosso dia para o Senhor e, assim, desejamos ter um relacionamento íntimo com ele.

Muitas pessoas dizem conhecer YHWH, porém o conhecimento sem relacionamento não passa de uma convivência muito superficial. Conhecer o Eterno é entender Seu coração, e quando buscamos entender seu coração nos tornamos submissos a sua Tora, agindo de forma que Lhe agrade.

Conhecer é falar a mesma língua, é sentir os mesmos sentimentos, é andar juntos. É saber quem sou em YHWH. Você já se perguntou, quem é você para YHWH? Quando descobrimos o valor que temos aos olhos do Pai, entendemos que não somos qualquer coisa, somos filhos do único Elohim. Filhos e Herdeiros da promessa.

Muitas pessoas vivem uma vida de derrota, porque não conhecem o Elohim que servem. A Bíblia diz que precisamos ter conhecimento de Elohim. Ele é amor, misericórdia, é paz. Podemos experimentar do Senhor, pois sabemos quem Ele é, assim, nunca estaremos sozinhos.

Conhecer o YHWH a quem servimos resultará em nós a realização dos planos que Ele tem para nós.


5 - DISPOSIÇÃO PARA O CHAMADO

O que mais temos visto nestes dias são pessoas murmurando, questionando a maneira como YHWH move todas as coisas. Aqui está a nossa personagem da história, Maria. Não encontramos em toda a trajetória de Maria um espírito de murmuração. Maria não questionara ao anjo, quanto a sua escolha. Ela não disse que ia ser muito difícil, o que iriam dizer dela? Não, Maria se curvou em posição de submissão. Ela dizia para si mesma: O Senhor dá as ordens e eu obedeço.

O nosso maior problema está em sujeitarmos a nossa vontade à vontade Dele. Precisamos entender que tudo o que fazemos é para o Senhor. Maria foi chamada para gerar Yeshua no ventre, para cuidar Dele até alcançar a maturidade. Tudo o que Ele aprendeu como homem foi através dela. Maria preparou Yeshua para cumprir o chamado do Pai. Ela sabia que, no seu ventre, carregava o Filho de Elohim. Maria sabia que Yeshua não era dela, ela teria que devolvê-Lo ao Pai.

Uma das maiores características que o Senhor busca encontrar em nós para este chamado é a de sermos servos em obediência. Muitos servem ao Eterno por medo. YHWH não é Senhor como muitos senhores; Ele é Senhor por excelência. O seu mandamento não é por força, nem por violência, mas pelo Seu Espírito.

Fazer a vontade de YHWH é se posicionar como servo. Para isso precisamos conhecer a sua vontade. Foi o que Maria fez. Ela disse ao anjo: Mas, como se sucederá isso, pois ainda não conheço o varão?... Que sabedoria de espírito! Maria sabia que para gerar um filho, ela deveria ter relacionamento intimo com José, porém, eles ainda não se conheciam intimamente. Então o anjo lhe explica como seria a concepção. A Ruach, o Espírito Santo a envolverá!

Quando nos sujeitamos em obedecer e em conhecer a vontade de YHWH, Ele nos envolve de tal maneira que passamos a gerar em nós os seus sonhos. Ele direciona os seus planos e nós executamos, e quando agimos assim, Ele faz prosperar os nossos caminhos, nos abençoando e nos dando livramentos.

O serviço de Maria se baseava na sua obediência ao chamado do Senhor. Ela recebeu a Graça, assim, gerando o Filho de YHWH em seu ventre. Hoje o mesmo YHWH nos chama para gerá-Lo em nosso coração, mas muitos ainda desobedecem a esse chamado, perdendo no entanto, a grande oportunidade de experimentar um relacionamento de íntimo amor.


6 -MARIA TINHA FÉ

É impossível agradar a YHWH sem fé. A fé é o trampolim para nos aproximarmos de Dele. A fé acaba com as impossibilidades da nossa vida, podendo nos levar para mais próximo do Pai.

Maria creu no seu chamado. Se ela não tivesse acreditado, nada aconteceria. Por isso é preciso acreditar nas promessas do Senhor, e o sintoma da fé está em nós agirmos mesmo que tudo pareça adverso, mas sempre cumprindo os Seus mandamentos, Sua Torá.

Certamente que Maria sabia o que iria enfrentar diante da sociedade da época, diante de seu noivo José. No entanto, sua resposta foi sim para YHWH. Ela não olhou as circunstancias. A fé gera em nós temor e não medo. A fé de Maria levou seu coração a temer a vontade do Aba, PAI, e este temor exige de nós perseverança. Ser persistente faz com que a nossa fé traga à existência o que é desconhecido. Quando cremos no Senhor, tomamos atitudes certas, mesmo que isso seja difícil.

Quem tem fé age pela fé, e a forma maior de demonstrarmos nossa fé é através de uma vida de oração e espera.

Maria, aguardou em oração nove meses de esperança. A cada mês que passava, ela via que de dentro dela vinha surgindo o sonho do Eterno. O início foi difícil: enjôos, tonturas, e os dias iam passando... de repente o feto já começava a mexer. Era o sinal da vida. Ela podia sentir que o sonho já se tornava realidade. Ela podia ver o mover das mãos do Eterno, trabalhando, trazendo à existência o que era desconhecido ao toque de suas mãos. Até que chegou o dia de dar à luz o sonho de YHWH.

Quando damos a luz ao sonho de YHWH, este sonho começa a andar junto de nós. Maria agora tinha o seu sonho nas mãos, porém, ela sabia que este sonho não era dela. Ela deveria, no tempo certo devolvê-lo para o Pai. Assim, também, acontece conosco. YHWH coloca seus sonhos dentro de nós através da Ruach, Seu Espírito; então passamos a conhecê-Lo mais de perto. A cada dia que passa, vamos vendo o sonho sendo gerado em nós. Sentimos dores, dificuldades, somos criticados, mas o sonho continua crescendo... crescendo... até que ele dá à luz. Que maravilha é ver os sonhos realizados! Mas, o sonho não é nosso, é do Amado YHWH, e assim como Maria chegará a hora de devolvê-lo para o Pai. Todavia, ele não nos deixa de mãos vazias. Sempre haverá uma recompensa para aqueles que acreditam nas promessas do Senhor. Ele enviará o consolo, a Ruach, seu Santo Espírito para nos encher, fazendo renascer em nós os sonhos que vêm Dele. Tenha fé, pois a fé é a estrada que nos levará de volta ao nosso sonho maior: a Casa do Pai.


7 - MARIA TINHA HUMILDADE

Quando se fala em humildade, pensamos logo em uma vida de miséria, pobreza, etc.

Porém, humildade significa: virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza.

Maria demonstrou esta atitude diante do anjo que a saudara. Em Lucas 1:47 e 48, ela diz: Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em YHWH, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante todas as gerações me chamarão de bem-aventurada.

YHWH viu em Maria total dependência dEle. Ela sabia de si mesma que não era nada. A única coisa que ela possuía era a certeza da existência de um Elohim de promessas. Ela sabia, também, da sua fragilidade como ser humano, cheia de pecados, mas que estava sempre disposta a ouvir a voz do Pai.

Maria não se exaltou diante do anjo, dizendo: É, o Senhor fez a escolha certa!... Realmente eu tenho tudo o que Ele precisa para gerar Seu Filho. Sou judia, sou virgem, sei que a profecia está para se cumprir, assim, sou eu mesmo, a pessoa indicada. Não! Maria disse: Hineni! Eis-me aqui, cumpra-se em mim segundo a Sua vontade.

Isso fala de consagração total. Maria sabia que ela não era deste mundo. Dentro dela havia um grito pelo Messias que viria. Maria não se assustou, por ter sido escolhida, porque ela trazia dentro de si todas estas convicções e esperanças da Sua vinda. Maria crescera preparada para o chamado do Senhor, não porque ela soubesse que seria ela, mas porque creu na promessa. Quando o Senhor olhou para Maria, Ele encontrou nela as qualificações para gerar Yeshua.

Hoje o mesmo YHWH está à procura daqueles que estão dispostos a gerar Yeshua; daqueles que acreditam na promessa da Sua volta. Mas, para isso, precisamos ter o coração de Maria, viver como Maria e buscar as promessas como Maria. Onde o Senhor encontrará estas pessoas? Quando o Seu povo se mistura com o mundo, contaminado com o pecado, no meio da idolatria e da fé mistificada? Precisamos buscar a verdade e nos posicionarmos diante das promessas do Senhor. YHWH não está à procura de gente cheia de conhecimento, mas de crentes experientes na fé. Seja você este gerador da vida de YHWH, e que o mundo possa ver os feitos do Senhor em sua vida, e assim, eles irão dizer: Bem-aventurado(a) servo(a) do Senhor!

Baruch Hashem!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O DIA DAS TROMBETAS

A Cidade, os Sacerdotes e o Shofar
Uma Reflexão de Yom Teruá

Por Sha’ul Bentsion


I - Introdução

“E sucedeu que, tocando os cohanim (sacerdotes) pela sétima vez as shofarot (trombetas), disse Yahushua (Josué) ao povo: Gritai, porque YHWH vos tem dado a cidade. ” (Yahushua/Josué 6:16)

Creio que todos conheçam excepcionalmente bem a história da tomada da cidade de Yericho (Jericó). Para aqueles que não a conhecem ainda, peço que parem a leitura deste material por um breve momento e leiam o texto de Yahushua (Josué) capítulo 6.

A narrativa da destruição de Yericho (Jericó) serve como memorial profético da destruição do reino das trevas, representado por sua cidade, a grande Bavel (Babilônia).

Assim como Yericho, Bavel será totalmente destruída. Assim como Yericho, Bavel parece intransponível para os filhos de Israel. Muitos de nós nos encontramos como os filhos de Israel ao comando de Yahushua (Josué), completamente atemorizados em nosso pequenino número, diante da magnífica imponência de Yericho (ou, no nosso caso, Bavel.)

Assim como Yericho, Bavel contém nela uma meretriz, a Casa de Israel (o Reino do Norte):

“Não te alegres, ó Israel, não exultes, como os povos; porque ao prostituir-te abandonaste o teu Elohim; amaste a paga de meretriz sobre todas as eiras de trigo.” (Hoshea/Oséias 9:1)

Assim como aconteceu com Rahav (Raabe), que se arrependeu ao tomar contato com a Torá através dos emissários de Yahushua (Josué), assim também a Casa de Israel tomará contato com a Torá através dos emissários de Yeshua, e se arrependerá de seus pecados.

Mas quanto ao povo que já estava com Yahushua (Josué), este se perguntava como seria possível vencer aquele desafio, mas YHWH nos mostrou que a vitória veio por intermédio dEle. Da mesma forma hoje os seguidores de Yeshua se perguntam se estão prontos para tamanho desafio.

II – Yericho nos Dias de Hoje

Ora, se há paralelos importantíssimos entre Yericho e Bavel, então certamente que se analisarmos os elementos que nos levaram à vitória contra Yericho, poderemos encontrar importantes elementos que nos auxiliem em nossa vitória contra Bavel. Algumas coisas foram fundamentais para que a vitória ocorresse:

1) O povo circundou a cidade por sete vezes.

2) Os cohanim soaram o shofar.

3) O povo bradou, e os muros ruíram.

Não é difícil perceber que há um paralelo importante com o tema de Yom Teruá, visto que Yom Teruá é o Dia do Brado – numa referência que pode ser tanto para o brado do povo quanto para o soar do shofar.

Yom Teruá nos faz recordar, como memorial futuro, do dia do último soar da trombeta:

“Porque Aquele que é o Nosso Adon pelo mandamento e pela voz do arcanjo e pela trombeta de Elohim descerá dos céus e os que morreram estando no Mashiach se levantarão primeiro.” (Tessalonissayah Alef/1 Tessalonissences 4:16, do aramaico)

Ora, analisemos então os eventos de Yericho para procurarmos entender o que pode nos ensinar a respeito dos últimos dias:

III - O Circundar a Cidade

Há dois elementos-chave na questão do circundar a cidade. O primeiro deles está no fato de que o povo rodeou a cidade por 7 vezes.

O número 7 na Bíblia representa um período completo. O relato da criação em Bereshit (Gênesis) 1 é composto, por exemplo, de 7 dias. Os períodos de Dani’el são medidos em semanas de 7 anos, e assim por diante.

Repare que até os últimos passos da última volta, o povo não tinha nenhum sinal físico de que viria a vitória. Talvez algumas pessoas já estivessem desistindo de caminhar, outras já estivessem se perguntando se Elohim as abandonara. Mas, até que a última volta se concluísse, nada ocorreu.

É preciso entendermos que Bavel só ruirá nos acontecimentos finais que se situam em torno da volta de Yeshua HaMashiach. Nem antes, nem depois. Se não sabemos nem o dia, nem a hora em que Yeshua retornará, também não podemos saber em que momento Bavel ruirá.

Há pessoas que anseiam por ver Bavel começar a ruir, demonstrar rachaduras em suas muralhas, e dar sinais de decadência. Contudo, não é assim:

“E os reis da terra, que se prostituíram com ela, e viveram em delícias, a chorarão, e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio; Estando de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! ai daquela grande Bavel, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo.” (Guilyana/Apocalips e 18:9-10)

Yeshua não nos diz por acaso que aquele que perseverar até o fim será salvo. Pois Bavel, assim como Yericho, se mostrará imponente e forte até a última hora que antecede sua destruição. Temos que ter ciência disso, e fé nEle, para não desanimarmos antes da última volta.

O outro elemento-chave da questão do circundar a cidade está no fato de que o povo se aproximou, mas não adentrou Yericho. É uma linha bastante tênue, pois o povo ficou exatamente no perímetro da cidade. A voz do povo pôde ser ouvida dentro da cidade. O povo pôde enviar resgate a Rahav, mas não adentrou efetivamente Bavel.

Hoje em dia, ainda há quem deseje cair nos dois extremos: Alguns não desejam sair de Bavel, acreditando poder salvá-la. A Bíblia é clara quanto a isso:

“Saí do meio dela, ó povo meu, e livrai cada um a sua alma do ardor da ira de YHWH.” (Yirmiyahu/Jeremias 51:45)

Porém, o povo teve que se posicionar de modo a que o shofar pudesse ser ouvido dentro de Yericho. Da mesma forma, muitos de nós temos caído no gravíssimo erro de colocarmos o shofar nos ombros, e debandarmos em retirada, sendo responsáveis por deixar em Bavel aqueles que ainda não ouviram o shofar.

Refiro-me aqui ao isolacionismo, ao orgulho espiritual, e à falta de compaixão por aqueles que ainda estão presos pelo sistema de Bavel. É preciso que não deixemos de nos lembrar da lição de Yonah:

“E veio a palavra de YHWH a Yonah Ben Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Yonah se levantou para fugir da presença de YHWH para Tarshish.” (Yonah/Jonas 1:1-3)

Existem, hoje, muitos Yonahs em nosso meio, no sentido de que não entendemos que YHWH quer exercer misericórdia para com Rahav (Raabe), isto é, para com a Casa de Israel que ainda se encontra presa em meio a Bavel. Alguns entendem na prática, mas na teoria agem de forma oposta.

Muitos de nós, por termos visto as abominações de Bavel, achamos que são os que estão em Bavel dignos do castigo que lhes incorrerá. Assim como Yonah, ao final do seu livro, se ira contra YHWH por tê-los perdoado. Outros de nós achamos que se as pessoas já ouviram a Palavra da Torá, então seu sangue está sobre suas cabeças. Mas, na realidade, sete voltas são dadas ao entorno de Yericho, e durante essas sete voltas, o shofar soará por diversas vezes. O shofar não pode cansar, nem pode cessar.

Por um lado, não podemos entrar em Bavel. Isto é, não devemos partilhar de seus pecados sob o pretexto de atacarmos por dentro. Por outro, isso não significa que devemos fugir e ficar à distância aguardando isolados. YHWH prometeu enviar pescadores e caçadores para resgatar a Casa de Israel:

“Eis que mandarei muitos pescadores, diz YHWH, os quais os pescarão; e depois enviarei muitos caçadores, os quais os caçarão de sobre todo o monte, e de sobre todo o outeiro, e até das fendas das rochas.” (Yirmiyahu/Jeremias 16:16)

Como poderemos nos dizer servos dEle e ignorarmos a missão que Ele tem para nós? É hora do nosso shofar ecoar pelos confins da terra, e o seu som se fará ouvir dentro dos portões infernais de Bavel, para resgate do nosso povo.

IV - Os Cohanim (Sacerdotes)

"O papel dos sacerdotes é ensinar a Torá e servir no Templo Sagrado em Jerusalém, conforme as Escrituras afirmam: 'Eles ensinaram Tuas Leis à semente de Ya'akov, e a Tua Torá a Israel. [Dt. 33:10]" Prof. Nahum Rakover

Não existe melhor definição para os cohanim (sacerdotes). Um cohen tinha essencialmente duas funções: representar o povo perante YHWH e ensinar a Sua Torá a Israel. Lembremos o que nos diz Kefa (Pedro):

“Vós, porém, sois a geração escolhida para o sacerdócio do Reino, povo santo ajuntado e resgatado para anunciar a majestade dAquele que vos chamou das trevas para a luz abundante.” (Kefa Alef/1 Pedro 2:9)

Yeshua não retornará sem que antes seus cohanim (sacerdotes) vão adiante dEle, cumprindo sua missão e soando o shofar. Infelizmente, praticamente não temos pessoas no nosso meio que se disponham a cumprir a profecia supracitada. Por que digo isso? Analisemos aqui os requisitos de um cohen (sacerdote):

a. Ensinar a Torá ao povo: O povo era leigo, inculto, recém saído da escravidão do Egito, idólatra, sem qualquer apego à Palavra. Mesmo assim, YHWH levantou pessoas instruídas e dotadas de longanimidade para ensinar o povo. Um cohen (sacerdote) não se ira com a falta de conhecimento da Torá. Um cohen ensina de forma paciente e amorosa.

b. Um cohen (sacerdote) representava o povo perante YHWH, justamente no momento em que o povo falhava, tropeçava, e abandonava a Torá. O Cohen (sacerdote) clamava a Elohim que perdoasse os trôpegos, e que exercesse sua misericórdia. O cohen se permitia ser um vaso para o derramar da misericórdia de Elohim. Temos mesmo orado pelos trôpegos, pelos que ainda estão presos à anomia, pedindo misericórdia a Elohim pela Casa de Israel?

Há muitos intelectuais da Torá e juízes em nosso meio. Mas até quando YHWH esperará por cohanim (sacerdotes) ?

V - O Shofar e o Brado (o Alto Clamor)

O Shofar e o Brado são muito semelhantes, e não é à toa que aparecem juntos na temática de Yom Teruá. O shofar pode ser entendido da se-guinte forma:

"Há coisas que são importantes para nós, então falamos sobre elas. Há coisas que são tão importantes para nós que as palavras fluem em uma explosão de emoção, palavras ricas, expressivas e vibrantes. E há coisas que nos sacodem até o fundo. Coisas que não se importam com a permissão da mente para as palavras certas - pois a mente não as pode compreender; as palavras mais pungentes não poderiam contê-las. Coisas que só podem nos fazer explodir em um clamor, em um grito, e então em silêncio. Este é o som do shofar: O mais íntimo de nossas almas gritando: 'Pai! Pai!'" Rav. Tzvi Freeman

O shofar é como o gemido inexprimível (Rm. 8:28) da Ruach HaKodesh, clamando a YHWH pela Casa de Israel e pela Casa de Yehudá. Temos uma missão importante, que é conscientizar a Casa de Israel que ela precisa clamar por YHWH. Como podemos fazer isso? Ben Ish Chai (Rav. Yosef Chaim, rabino chefe sefaradi no fim do século XIX) narra uma parábola que talvez nos ajude a compreender o que devemos fazer:

“Havia, em um reino, um mestre na Torá que encontrou favor aos olhos do rei. De fato, ele era tão cheio de sabedoria e conselhos maravilhosos que o rei o nomeou como seu número dois. Sob a brilhante liderança do sábio, a nação se tornou o reino mais rico e poderoso da região. Ele era amado por todos os cidadãos do país.

Todavia, havia um alfaiate não-judeu que queimava de inveja do prestígio do rabino. Um dia, o rei e o sábio viajavam pelo mercado na carruagem real. Quando passaram pela janela do alfaiate, ele deixou sair uma canção rude que depreciava os judeus. O rei ficou furioso: "Como ousa esse homem insultar meu amado amigo!" O rei então se voltou para o rabino e disse: "Dê ordens para que a língua desse homem seja cortada de sua boca." Inexplicavelmente, ao invés de executar as ordens do rei, o sábio foi até a casa do alfaiate e lhe deu um presente de 2 mil denários.

Na semana seguinte o rei e o rabino passaram pela casa do alfaiate. A carruagem real se aproximou, e o alfaiate os cumprimentou com uma canção simpática - que exaltava os judeus e o rabino. O rei ficou perturbado: "Não te disse para ordenar que a língua dele fosse cortada?" "Sua majestade", disse o rabino ao rei, "Eu fiz conforme tu ordenaste. Eu removi sua língua antiga ruim e a substituí por uma nova que canta louvores e canções doces."

O rei riu com deleite da esperteza de seu ministro. "Mesmo assim", disse o rei, "Eu teria preferido que você tivesse executado minha ordem."

O rabino respondeu: "Eu agi em proteção à tua honra. Pois se tivesse ordenado que sua língua fosse cortada, o povo diria: "Tudo o que o alfaiate dizia sobre os judeus é verdade. O rei só o puniu para defender a honra do seu amigo." Contudo, agora que eu dei a ele um belo presente, ele exalta os judeus. Quando o povo ouvir as suas novas palavras perceberá que sua primeira canção era apenas difamação."

Yeshua nos ensinou a semearmos o bem, o amor ao próximo, e o temor a Elohim em obediência à Torá. Para despertar nas pessoas o desejo de clamarem por Elohim, é preciso antes substituir suas línguas. A única forma de fazermos isso é deixarmos que o bem que se manifestará através de nossos atos de amor e misericórdia contaminem o coração de todos os que ainda estão em Bavel.

Nossa língua, em sendo acusatória, agressiva, e se recusando a ser doce, amável, e dedicada a Elohim, jamais despertará em qualquer pessoa o desejo de tomar para si o nosso tesouro. De nada adianta, por exemplo, ganharmos um argumento teológico, por mais bem fundamentado que estejamos, se nossa língua for dura. Fazer isto é como arrancar a língua do alfaiate na parábola acima.

Todavia, devemos estar dispostos a compartilhar o nosso maior tesouro: a luz que brilha nAquele que aceita a Yeshua como seu Go’el (Redentor) e Adon (Senhor), e que, por isto, vive na Torá o mais profundo amor a Elohim. Temos que confiar mais na preciosidade da Torá do que na nossa capacidade argumentativa. Viva a Torá em seus atos e em suas palavras, e seu shofar será capaz de despertar o brado que a Casa de Israel precisa dar para que Elohim a livre das garras de Bavel.